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Nasci na longínqua Rússia - no dia 25 de março de 1.892 no calendário greco romano, na cidade da fronteira com a Polônia, em Grodno.

A margem do grande Nieman, cuja floresta denominada de "segreto" me atrai com seus mistérios - me ligou a essa lembrança geográfica e afetiva. Prometi-me a voltar, já na idade adulta, mas até hoje não o consegui.

Meu pai, Oficial do Exército russo e minha mãe - filha de oficial russo também - que deixou cedo viúva a minha avó materna, e que se casou como um general russo do qual conheci uma espada de ouro, troféu da guerra com a Turquia. Mais de 2 tias e alguns primos - do lado materno - do lado paterno, além do pai 10 anos mais velho que minha mãe que se casou logo no 1° ano que terminou o Curso de Formação de jovens moças nobres em "Ticlossor (hoje Polônia)" sem experiência da vida e de atividades domésticas. Tinha uma bela voz e me ensinou a cantar, me segurando no colo, ao piano, que ele tocava com gosto e bem (Chopin, a Pathetica de Beethoven, Liszt, etc) e ambos em 2 vozes, a partir de 3 anos cantavam. Uma das melhores lembranças da infância foi ouvi-la tocar valsas e músicas clássicas, quando eu, já na cama, adormecia ao som dessas melodias

A família era pequena: 3 meninas - eu a mais velha, a 2ª com 3 anos a menos e a última 12 anos mais nova. Por parte da mãe, ainda as 2 tias - tinha uma filha única - Tália e a outra, com as quais pouco convivíamos, minha madrinha. Esta tia Lola, preparava de entrar no Convento, muito religiosa e rezadeira - a mais nova. Acontece que, depois de casada (com oficial também) e tendo perdido o marido na guerra de 1.914 e o filho oficial - também, resolveu realizar seu antigo sonho, entrar em plena guerra - no Convento de Kiew, creio. A minha avó materna nos recebia em sua casa de Grodno onde era proprietária de uma casa com vasto jardim e frutuoso pomar (lembro-me bem do casamento da irmã mais nova - minha madrinha) - e de alguns episódios raros com essa avó. Ficamos um ano inteiro entregues ao cuidados dela - durante o ano de 1900 - ano em que meu pai recebendo um prêmio de viagem no estrangeiro pelo êxito nos estudos, na Academia de Estado Maior sendo 1° lugar da turma - A viagem de um ano em companhia de minha mãe - marcou bem o período de meus 8 anos. Zina, minha irmã, tinha 5 e ambas como nossa prima Tália - formavam uma trinca de meninas levadas, da qual geralmente eu era a líder - a prima, com um ano a mais que eu, já tinha algumas atitudes de malícia que nos passavam sem muita censura.

Lembro-me de ter nos ensinado uma brincadeira de mau gosto - é de encher copos de cristal com nossa urina e oferecer, a moda de vinho a alguns convidados. Fomos severamente censuradas - ficando na memória esse fato como um dos mais negativos dessa época.

Gozávamos, com nossa avó, de muito maior liberdade, que quando em companhia dos pais. Bastante severos, nós crianças - minha irmã e eu devíamos nos comportar muito quietinhas e bem comportadas - Lembro-me da expressão de minha mãe que devíamos ficar como dois ratinhos atrás da vassoura, sem fazer barulho porque o pai - o severo - tinha muita coisa a fazer - estudava para últimos exames do pesado Curso da Academia do Estado Maior, já no grau de Capitão, não sendo de tudo muito jovem, devendo ter cerca de 40 anos e sofrendo de enxaquecas e de gastrite e mais tarde de distúrbios cardíacos - angina pectoris - realmente exigia silêncio e paz.

Seu comportamento era bem diferente para com as 2 filhas - Eu - primogênita - recebia toda atenção e afeição, achando-me mais viva e mais bonita. Ao contrário subestimava a inteligência e o físico de minha irmã, que sofria bastante, mesmo pequenina ainda, nas primeiras provas de aritmética que meu pai procurava fazer compreender, a mais nova, sempre terminando as aulas com lágrimas e desespero da menina. Superestimando as minhas qualidades - por certa afinidade de interesse e de caráter - não adivinhou que mais tarde a outra filha iria se sair bem no curso de Engenharia que fez nos Estados Unidos, durante a Revolução Russa e que eu enveredando pela Psicopedagogia não ia me destacar nesta área. O mesmo aconteceu no domínio do canto - a minha mãe superestimava a minha voz e talento musical enquanto se enervava com a menor, censurando sua falta de ouvido e de capacidade.

No entanto foi Zina, minha irmã que se destinguiu mais tarde com um soprano bonito o que lhe permitiu participar de consertos em qualidades de solista do colégio nas horas em que suas magestades visitavam o nobre Instituto, onde ela terminava seu ensino médio.

Sentia essa diferença de trato, com certo sofrimento, pois cedo compreendi a injustiça dos pais para com a irmã mais nova que eu.

Os estudo primários fiz todos em casa. Com minha mãe professora das duas filhas. Conheci o ensino coletivo somente aos 10 anos.

Tive sempre chance de êxito, preferência - de facilidades.